O município de Piatã, na Chapada Diamantina volta a ocupar
espaço no noticiário judicial e político com o avanço de uma ação criminal que
tramita no Tribunal de Justiça da Bahia contra o ex-prefeito Edwilson Oliveira
Marques. O processo nº 8000223-67.2021.8.05.0193, proposto pelo Ministério
Público do Estado da Bahia, apura supostos casos de corrupção e outros atos
ilícitos relacionados à condução da gestão pública municipal.
A tramitação da ação, atualmente sob análise da Câmara
Criminal do TJ-BA, ocorre em um contexto mais amplo, marcado por uma série de
questionamentos judiciais e institucionais envolvendo a administração pública
de Piatã, tanto passada quanto atual. Além do ex-prefeito Edwilson Marques, o
atual prefeito, Marcos Paulo, também é citado em outros procedimentos e ações
que tramitam na Justiça, o que tem alimentado o debate público sobre a crise
moral e administrativa vivenciada pelo município.
Segundo a acusação do Ministério Público, o processo contra
Edwilson investiga práticas administrativas consideradas suspeitas,
relacionadas à gestão de recursos públicos. Embora ainda não exista decisão
definitiva, o caso é tratado como emblemático por parte da população, por
representar, segundo críticos, o resultado de um modelo de gestão marcado por
contratações questionáveis e decisões administrativas sob constante escrutínio
judicial.
O debate ganha contornos ainda mais sensíveis quando se
observa que, à época da gestão de Edwilson Marques, Marcos Paulo atuava como
secretário de Administração e Finanças, posição estratégica dentro da estrutura
municipal e apontada como central na condução orçamentária e financeira do
governo. Hoje, ocupando o cargo de prefeito, Marcos Paulo vê sua gestão também
ser alvo de questionamentos, o que reforça a percepção, presente em setores da
sociedade, de uma continuidade administrativa que agora cobra seu preço
institucional.
Para parte da opinião pública local, os processos em curso
simbolizam o custo político e social de escolhas feitas no passado recente. Em
rodas de conversa, nas redes sociais e no debate comunitário, cresce a sensação
de que Piatã vive uma crise de confiança, em que sucessivos episódios
envolvendo a Justiça corroem a credibilidade das instituições municipais.
É importante ressaltar que todos os envolvidos têm assegurado
o direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa, e que não há
condenação sem sentença transitada em julgado. Ainda assim, o acúmulo de
processos e investigações coloca sobre a cidade um peso difícil de ignorar.
No imaginário popular, a expressão que começa a circular
resume o sentimento de indignação de parte da população: “a dupla dos milhões”.
A pergunta que ecoa, no entanto, é inevitável — quem está pagando essa conta?
Para muitos piataenses, a resposta é direta: o povo, que convive com instabilidade
política, desconfiança institucional e os reflexos concretos de uma
administração pública permanentemente sob suspeita.
O jornal ACOMARCA acompanha os desdobramentos dos processos em
tramitação e reafirma seu compromisso com a informação responsável, o interesse
público e o respeito às garantias legais, mantendo espaço aberto para
manifestação da defesa dos citados e para novos esclarecimentos.
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