Jornal ACOMARCA

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

PIATÃ: Gestão Marcos Paulo põe fim ao que era bom, o tradicional e centenário Carnaval de Piatã (VIDEO)

 

O carnaval de Piatã, considerado um dos mais importantes e animado da Chapada Diamantina e do interior da Bahia, foi cancelado pelo segundo ano consecutivo. O anuncio foi feito pelo Prefeito cassado em primeira instancia, Marcos Paulo Azevedo, em uma entrevista a uma emissora local, alegando crise financeira, mas a população cobra explicações sobre milhões arrecadados e questiona a falta de transparência.

Dois Carnavais cancelados, milhões em arrecadação e o povo sem respostas.

Pela segunda vez consecutiva, o município de Piatã fica sem sua principal manifestação cultural: o Carnaval. Uma festa centenária, construída por gerações, que sempre representou alegria, identidade, convivência social, geração de emprego e renda e impulso no turismo, gastronomia e comercio.

O argumento, porém, não convence grande parte da população. O Carnaval de Piatã nunca foi apenas diversão. trata-se de uma das celebrações mais aguardadas e marcantes do calendário festivo municipal, que cria memorias  e momentos inesquecíveis para os que o celebram. Sempre foi cultura viva, durante a festa as ruas ganham vida com pessoas fantasiadas, crianças nas matinês dançando aos sons de musicas típicas, como as marchinhas e outros estilos carnavalescos,  ambulantes trabalhando, comerciantes vendendo e famílias reunidas. Cancelar essa festa por dois anos seguidos não é um simples corte administrativo — é uma decisão política, com impactos profundos sobre a cidade.

O questionamento popular se intensifica diante de um dado que não pode ser ignorado: durante a gestão, o município recebeu mais de 20 milhões de reais em impostos provenientes da atividade de mineração. O recurso entrou nos cofres públicos. Isso é fato. O que permanece sem resposta clara é como e onde esse dinheiro foi aplicado, especialmente quando eventos culturais tradicionais são descartados sob o argumento de falta de recursos.

A situação se agrava em um cenário de instabilidade política. O prefeito Marcos Paulo responde a um processo de cassação, que já passou pela primeira instância e segue para a segunda. É correto afirmar que o processo ainda está em andamento e não há decisão definitiva, mas sua existência reforça a sensação de fragilidade administrativa e aumenta a cobrança por mais responsabilidade e transparência na gestão dos recursos públicos.

Outro ponto que causa indignação é a ausência de diálogo com a população. Não houve esforço visível para buscar alternativas, como um Carnaval popular, enxuto, com artistas locais e baixo custo. A opção foi simplesmente cancelar. Mais uma vez, quem paga o preço é o povo: as crianças perderam seu espaço, os comerciantes perderam renda e a cidade perdeu parte de sua identidade.

Nas ruas e nas redes sociais, o sentimento se repete em coro: “lamentável”, “acabou uma tradição”, “isso é um crime cultural”. Não se trata de saudosismo, mas de respeito à história e ao pertencimento de um povo que sempre teve no Carnaval um símbolo de união.

Cultura não é luxo. Cultura é política pública, é investimento social, é memória coletiva. Quando uma gestão escolhe cortar a cultura enquanto milhões circulam sem explicações suficientes, o problema deixa de ser financeiro e passa a ser falta de compromisso com o pova e a cidade.

O Carnaval de Piatã não pertence a governos nem a mandatos. Pertence ao povo. E o povo segue esperando respostas, enquanto sua tradição é deixada de lado.


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