Jornal ACOMARCA

terça-feira, 28 de abril de 2026

PIATA: Thiago Dultra alerta sobre as contas publicas do municipio

Câmara autorizou município a contratar empréstimo de aproximadamente R$ 12 milhões


A Câmara Municipal de Piatã, na Chapada Diamantina, aprovou na manha desta terça-feira, (28/4), por 6 votos a 0, o projeto de lei proposto pelo prefeito Marcos Paulo (PSD) que autoriza o município a contratar um empréstimo de aproximadamente R$ 12 milhões.

O Executivo municipal justifica que os recursos vão ser investidos na instalação de sistemas de energia solar em prédios públicos, visando a promessa de significativa redução de gastos futuros com energia elétrica.

A aprovação, no entanto, ocorreu sob um cenário de críticas relacionadas à rapidez da tramitação e à falta de um debate mais amplo entre os vereadores e com a população.

Seis vereadores votaram a favor da autorização para o empréstimo: Valmir, Telma, Edelson, Zaqueu, Indira e Vania

Quatro outros vereadores que poderiam se posicionarem contra a proposta, Juce, Samuel, Jairo e Amarildo, estavam em Brasília  participando da Marcha Nacional dos vereadores, mas através de uma live na noite anterior, manifestaram  preocupação com o endividamento do município nos termos apresentados pela gestão:

A principal preocupação dos legisladores é o pagamento do empréstimo, o prefeito nao esta pagando o que deve, caso a economia de energia demore mais do que o previsto para superar o custo das parcelas, o projeto pode se tornar oneroso a curto e médio prazo.

De acordo com o líder politico, Thiago Dutra , o empréstimo milionário podem comprometer recursos que seriam essenciais para áreas como saúde, educação e infraestrutura. Acompanhe a seguir as palavras do líder.

``Piatã precisa encarar com seriedade um tema que costuma passar longe do debate público, mas que afeta diretamente a vida da população: a gestão das contas do município.

Os dados mais recentes são claros. Ao final de 2025, a dívida consolidada ultrapassava R$ 45 milhões, conforme demonstrativos oficiais apresentados ao Tribunal de Contas  . Quando somadas outras obrigações financeiras, como retenções não repassadas e compromissos diversos, o passivo total alcança mais de R$ 73 milhões.

Não se trata de interpretação política.

São números.

Além disso, o município encerrou o exercício sem disponibilidade financeira suficiente para cobrir suas despesas correntes, o que indica um desequilíbrio fiscal que não pode ser ignorado.

É nesse cenário que a Prefeitura encaminha à Câmara Municipal o Projeto de Lei nº 008/2026, solicitando autorização para contratar um novo empréstimo de aproximadamente R$ 11,6 milhões.

A discussão sobre crédito público não é simples — nem deve ser tratada de forma superficial.

Empréstimos podem ser instrumentos legítimos de investimento. Mas exigem planejamento rigoroso, transparência e, sobretudo, capacidade de pagamento.

O problema é que esses elementos não aparecem com clareza no projeto apresentado.

Não há detalhamento consistente das obras, nem definição objetiva de prioridades, tampouco um estudo claro sobre o impacto financeiro da operação ao longo do tempo.

Enquanto isso, o município já possui obrigações em aberto decorrentes de empréstimos anteriores, com saldo superior a R$ 4,5 milhões junto à Caixa Econômica Federal.

Outro ponto que merece atenção é o uso de receitas essenciais, como FPM e ICMS, como garantia da operação. São recursos que sustentam serviços básicos e que, ao serem comprometidos, reduzem a margem de manobra da administração pública.

Há ainda o agravante da capacidade de pagamento do município. Indicadores técnicos apontam avaliação desfavorável, o que sinaliza risco na assunção de novos compromissos financeiros.

Diante desse quadro, a discussão não pode se limitar à aprovação ou rejeição de um projeto.

É preciso ir além.

Piatã precisa de planejamento fiscal consistente, controle de gastos e transparência na aplicação dos recursos públicos.

Endividamento sem clareza de propósito não é investimento.

É risco.

E risco, quando mal administrado, sempre recai sobre a população.

Cabe ao Poder Legislativo exercer seu papel com responsabilidade, analisando não apenas o mérito imediato da proposta, mas suas consequências futuras.

Mais do que nunca, é necessário colocar as contas em ordem.

Porque, no final, é a saúde financeira do município que garante a continuidade dos serviços públicos e a qualidade de vida da população``. Palavras de Thiago.

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