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segunda-feira, 29 de junho de 2026

PIATÃ: Altamirando Rodrigues e as lembranças de um sertanejo em Brasilia

 Nas eleições de 1958, Horácio de Matos Júnior, foi eleito vereador no Municipal de Piatã.


Nas eleições de 1958, Horácio de Matos Júnior, foi eleito vereador para a Câmara Municipal de Piatã. Em 1963 foi eleito para deputado estadual.

Em 1974, com o slogan “Um Sertanejo em Brasilia”, destacando suas raízes na região da chapada Diamantina e identificação direta com o eleitorado do interior baiano, elegeu-se para deputado federal. Em 1986, assumiu o cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia – TCE.

No início dos anos 50, meu pai, João Hipólito Rodrigues, foi atingido por uma forte crise reumática que o deixou imobilizado na cama, em Catolés. Precisando de socorro médico, ele enviou uma solicitação a Alfredo Soares, prefeito de Piatã, pedindo ajuda. Seu Alfredo analisou uma solução para o deslocamento de meu pai até Piatã. A solução seria improvisar maqueiros para carregar a maca, já que não havia estrada carroçável. No município, o único automóvel era o leep de Horácio, que, além de tudo, era um ferrenho adversário político. A situação chegou ao conhecimento de Horácio, que, sem hesitar, colocou-se à disposição para ele mesmo conduzir o Jeep ir até onde fosse possível encontrar os maqueiros. Combinaram, e, em um verdadeiro rally, Horácio conduziu o Jeep até o lugar chamado Rodeador, de onde conduziu meu pai até Piată.

No início do ano de 1969, José Oliveira Alves, conhecido em Catolés como Zé de Diolino ou Zé de ADÉLIA, e em Piatá Zé da Loja, encontrava-se internado no Hospital Espanhol em Salvador, com a saúde muito fragilizada. Eu e Valdete filha de Enedino, que era colaboradora de D.

Magnólia, esposa de Horácio, reversávamos no acompanhamento de Zé. Numa certa manhã, o médico diarista, após o exame rotineiro, dirigiu-se a mim e perguntou se eu era filho de Zé.

Respondi que era primo em 2º grau e sobrinho por afinidade. Ele sem meias palavras me disse:

“o estado do paciente é terminal. Sugiro que você comunique aos familiares dele e peça para levá-lo para casa onde deve receber cuidados paliativos”. Fiz a comunicação, e os filhos de Zé contataram com orcio, esencarrego de,efetivamente, fretar o táxi aéreo.

Combinado dia e hora, com antecedência necessária, Horácio chegou no Hospital conduzindo o veículo Chevrolet Impala, bancos de couro claro que realçava ainda mais o luxuosíssimo veículo. Como Zé sofria de um quadro gastrointestinal totalmente descontrolado, eu ficava receoso de pegar um táxi com ele e ocorrer um episódio de incontinência fecal no veículo . Ao expor a situação para Horácio, ela disse:”nós iremos no meu carro e,se ocorrer.

incontinência, mando lavar”, Do Hospital partimos para o antigo aeroclube onde hoje funciona o Centro de Convenções Municipal e funcionava como campo de pouso e decolagem. Ainda não existia aeroporto. Valdete e Zé embarcaram e eu e Horácio fomos para a Assembleia Legislativa que funcionava em alguns andares do Edificio Ranulfo Oliveira, entre as Ruas Guedes de Brito e José Gonçalves, Centro Histórico de Salvador.

Certa feita eu viajava de carona com Horácio para Piatã e na Br-242, Horácio disse: “vamos passar em Lençóis para eu ver um diamante com Gringo e a gente comer a melhor moqueca de traíra, na Pensão de Otaviano Viana, irmão de Nezinho”. Passamos em Lençois e realmente comemos a saborosíssima moqueca de traíra, que eu ainda não tinha degustado e provavelmente não degustarei, igual.

Em 1982, eu e meu colega delegado, Gilberto Brito, fomos para Brasília participarmos do Curso de Reciclagem na Academia da Polícia Civil do DF. Frequentemente, na tarde e noite, Horácio nos apanhava no alojamento, no Parque Elmo Serejo Farias e nos conduzia para o Macaxeira Restaurante onde ouviamos show de música ao vivo e degustávamos petiscos nordestino, principalmente car do sol com macaxeira. E durante o dia quando precisávamos, Carlos era o nosso condutor e cicerone.

Como se depreende da minha exposição de fatos, enquanto ocupante dos cargos eletivos, Horácio separou sua indole altruísta dos interesses políticos. Portanto autêntico homem de Estado.


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