O carnaval de Piatã, considerado um dos mais importantes e
animado da Chapada Diamantina e do interior da Bahia, foi cancelado pelo
segundo ano consecutivo. O anuncio foi feito pelo Prefeito cassado em primeira
instancia, Marcos Paulo Azevedo, em uma entrevista a uma emissora local, alegando
crise financeira, mas a população cobra explicações sobre milhões arrecadados e
questiona a falta de transparência.
Dois Carnavais cancelados, milhões em arrecadação e o povo
sem respostas.
Pela segunda vez consecutiva, o município de Piatã fica sem
sua principal manifestação cultural: o Carnaval. Uma festa centenária,
construída por gerações, que sempre representou alegria, identidade,
convivência social, geração de emprego e renda e impulso no turismo, gastronomia
e comercio.
O argumento, porém, não convence grande parte da população.
O Carnaval de Piatã nunca foi apenas diversão. trata-se de uma das celebrações
mais aguardadas e marcantes do calendário festivo municipal, que cria
memorias e momentos inesquecíveis para
os que o celebram. Sempre foi cultura viva, durante a festa as ruas ganham vida
com pessoas fantasiadas, crianças nas matinês dançando aos sons de musicas típicas,
como as marchinhas e outros estilos carnavalescos, ambulantes trabalhando, comerciantes vendendo
e famílias reunidas. Cancelar essa festa por dois anos seguidos não é um
simples corte administrativo — é uma decisão política, com impactos profundos
sobre a cidade.
O questionamento popular se intensifica diante de um dado
que não pode ser ignorado: durante a gestão, o município recebeu mais de
20 milhões de reais em impostos provenientes da atividade de mineração. O
recurso entrou nos cofres públicos. Isso é fato. O que permanece sem resposta
clara é como e onde esse dinheiro foi aplicado, especialmente quando eventos
culturais tradicionais são descartados sob o argumento de falta de recursos.
A situação se agrava em um cenário de instabilidade
política. O prefeito Marcos Paulo responde a um processo de cassação, que já
passou pela primeira instância e segue para a segunda. É correto afirmar que o
processo ainda está em andamento e não há decisão definitiva, mas sua
existência reforça a sensação de fragilidade administrativa e aumenta a
cobrança por mais responsabilidade e transparência na gestão dos recursos
públicos.
Outro ponto que causa indignação é a ausência de diálogo com
a população. Não houve esforço visível para buscar alternativas, como um
Carnaval popular, enxuto, com artistas locais e baixo custo. A opção foi
simplesmente cancelar. Mais uma vez, quem paga o preço é o povo: as crianças
perderam seu espaço, os comerciantes perderam renda e a cidade perdeu parte de
sua identidade.
Nas ruas e nas redes sociais, o sentimento se repete em
coro: “lamentável”, “acabou uma tradição”, “isso é um crime cultural”. Não se
trata de saudosismo, mas de respeito à história e ao pertencimento de um povo
que sempre teve no Carnaval um símbolo de união.
Cultura não é luxo. Cultura é política pública, é
investimento social, é memória coletiva. Quando uma gestão escolhe cortar a
cultura enquanto milhões circulam sem explicações suficientes, o problema deixa
de ser financeiro e passa a ser falta de compromisso com o pova e a cidade.
O Carnaval de Piatã não pertence a governos nem a mandatos. Pertence ao povo. E o povo segue esperando respostas, enquanto sua tradição é deixada de lado.




