Jornal ACOMARCA

terça-feira, 25 de novembro de 2025

PIATÃ: Oposição pede devolução de Projeto de Lei que cria novos cargos, para correções.

 


A Câmara Municipal de Piatã recebeu nesta segunda-feira (24) o Projeto de Lei Complementar nº 022/2025, encaminhado pelo Poder Executivo, propondo uma reestruturação ampla no quadro de pessoal da Prefeitura. O texto cria 133 novos cargos efetivos, amplia outras 69 vagas já existentes e extingue o cargo de telefonista, prevendo a readequação dos servidores que ocupam a função.

A medida ocorre em um momento em que o município é pressionado pela recente decisão judicial que determina a realização de concurso público. No entanto, apesar da relevância do tema, o projeto chegou à Casa sem os documentos essenciais exigidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o que motivou críticas e pedidos de ajustes antes de qualquer tramitação.

Faltam documentos obrigatórios da Lei de Responsabilidade Fiscal

A reportagem apurou que o PL 022/2025 não foi instruído com dois elementos obrigatórios previstos no artigo 16 da LRF:

1. Estimativa do impacto orçamentário-financeiro

O estudo, que deveria detalhar os custos da criação e ampliação de cargos para os próximos três anos, não acompanha o projeto.

2. Declaração do ordenador da despesa

Também não consta a declaração formal que ateste a compatibilidade da medida com o orçamento anual (LOA), o Plano Plurianual (PPA) e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Segundo cálculos técnicos realizados pela oposição, apenas com salários base e 13º, o impacto anual ultrapassa R$ 3,3 milhões, podendo chegar a mais de R$ 4 milhões com encargos patronais obrigatórios.

Sem esses documentos, a Câmara fica impossibilitada de avaliar se o município tem condições reais de assumir a nova despesa permanente.

Regimento Interno impede tramitação de matéria incompleta

De acordo com o Regimento Interno da Câmara de Piatã, mesmo com pedido de urgência, nenhum projeto pode avançar no mérito sem estar devidamente instruído. Pareceres, estudos técnicos e documentos obrigatórios não podem ser dispensados.

A ausência do impacto financeiro — documento básico exigido por lei — prejudica a análise do mérito, impedindo que o processo avance até que seja corrigido.

Reestruturação ignora categorias essenciais ao funcionamento da cidade

Outro ponto levantado pela oposição diz respeito à seleção dos cargos criados.

Embora o projeto amplie significativamente a estrutura administrativa e educacional, ele não contempla profissões essenciais ao funcionamento diário do município, como:

                             gari,

                             pedreiro,

                             pintor,

                             eletricista,

                             servente,

                             encanador,

                             operador de serviços gerais e manutenção.

Essas funções são responsáveis pela limpeza urbana, manutenção de escolas e prédios públicos, reparos, iluminação, obras menores e conservação de espaços públicos — setores onde há carência de pessoal reconhecida pela própria população.

“O projeto nasce com vícios e precisa ser refeito”, afirma Thiago Dultra

Em entrevista ao Jornal A Comarca, o líder da oposição na Câmara, Thiago Dultra, disse que o projeto chega “com falhas que impedem a avaliação responsável da matéria”.

Segundo ele:

“Criar cargos é importante e realizar o concurso é urgente. Mas não se pode enviar um projeto dessa dimensão sem estudo de impacto financeiro e sem a declaração do ordenador da despesa. Isso viola a Lei de Responsabilidade Fiscal e impede uma votação segura.”

Sobre a ausência de categorias operacionais, Dultra afirma que o desenho da reestruturação “não corresponde às necessidades do município”:

“É estranho criar tantos cargos administrativos e não incluir gari, pedreiro, pintor, eletricista. São esses profissionais que mantêm a cidade funcionando diariamente. Falta planejamento, falta coerência e falta responsabilidade.”

Os vereadores de oposição  defenderam que a Mesa Diretora devolva o projeto ao Executivo para correção:

“O Regimento Interno é claro: sem documentação mínima, o projeto não pode tramitar. A solução é devolver, corrigir e reapresentar. Piatã não pode repetir erros de irresponsabilidade fiscal que já custaram caro à população., afirmou o vereador Juce.”

Oposição reafirma defesa do concurso público

Dultra reforçou que a oposição é favorável à realização do concurso público conforme decisão judicial, mas defende que o processo siga critérios técnicos e legais:

“A oposição deseja o concurso. A população deseja o concurso. A Justiça determinou o concurso. Mas ele precisa nascer correto. Não vamos aceitar um projeto viciado, mal instruído e sem responsabilidade fiscal.”

A Câmara deverá se manifestar nos próximos dias sobre os encaminhamentos da matéria, que pode ser devolvida ao Executivo para ajustes antes de iniciar sua tramitação formal.

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